Tarifas dos EUA: negociação é principal caminho para o Brasil reduzir sobretaxas, diz ex-diretor da OMC – CBN

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O governo norte-americano propôs uma nova tarifa de até 12,5% contra o Brasil por supostas falhas no combate ao trabalho forçado. A apuração do Escritório do Representante Comercial americano também incluiu outros 58 países e a União Europeia.

Em entrevista ao Jornal da CBN, Roberto Azevêdo, embaixador, ex-Diretor-Geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) e presidente da 9G Consultoria, explicou que a medida faz parte de uma estratégia do governo Donald Trump para substituir medidas anteriores que foram derrubadas pela Justiça dos EUA.

"A ideia era ter um plano B, porque todas essas tarifas poderiam cair no sistema judiciário americano. Elas tinham uma sustentação jurídica frágil, pois eram baseadas na lei de emergência nacional, da seção comercial da legislação americana. Havia o receio de que essas tarifas fossem derrubadas, e foram, em janeiro. Por isso, era necessário encontrar uma base jurídica mais sólida."

Negociação pode ser uma alternativa

O ex-diretor da OMC afirmou que uma eventual contestação judicial pode ser apresentada, mas teria menor probabilidade de sucesso. Para ele, a negociação ainda é uma alternativa. Azevêdo destacou que outros países já adotaram essa estratégia e conseguiram reduzir tarifas em troca de compromissos assumidos com Washington.

"Você pode negociar, tentar fazer acordos com os Estados Unidos que impeçam essas tarifas adicionais. A Argentina fez isso, o Reino Unido fez isso. Outros países, como Taiwan e Coreia do Sul, também seguiram esse caminho. Esses países têm conseguido reduzir suas tarifas de acordo com os compromissos que vêm assumindo com os Estados Unidos."

Ele ponderou, porém, que o ambiente político brasileiro pode dificultar esse caminho.

"Brigar com os Estados Unidos virou uma coisa legal do ponto de vista, sobretudo eleitoral, de angariar votos. O discurso da soberania, da ingerência americana, isso tem um impacto eleitoral importante."

Medidas dos EUA atendem a interesses internos

Roberto Azevêdo ainda pontuou que as medidas atendem principalmente a objetivos internos dos EUA e que a polarização política no Brasil faz com que decisões adotadas por Washington sejam frequentemente interpretadas como ações contra o governo brasileiro.

"A polarização e a politização desses temas no Brasil é muito forte. Então, qualquer coisa que os Estados Unidos façam vai tentar ser caracterizado ou entendido como uma situação política contra o Brasil, contra o governo, contra os brasileiros. Não é bem assim."

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